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Escola agrícola de Riachinho segue inacabada há 17 anos e prejudica acesso de jovens ao ensino técnico

Escola Agrícola abandonada em Riachinho vista através do Google Maps

A Escola Família Agrícola de Riachinho, idealizada para formar jovens da agricultura familiar, segue hoje como um conjunto de prédios inacabados, tomados pelo mato, em um terreno abandonado no município. O projeto, lançado oficialmente há 17 anos, com início da primeira etapa por volta de 2009, ainda não foi concluído e passou a ser visto como um verdadeiro “elefante branco”, símbolo de desperdício de recursos e das dificuldades enfrentadas pela educação técnica na região do Bico do Papagaio.

A escola foi planejada para oferecer ensino médio integrado a curso técnico voltado à agricultura familiar, atendendo estudantes de Riachinho e de cerca de 13 municípios vizinhos. A proposta era funcionar como um modelo de escola residencial do campo, com formação prática e teórica, incentivando a permanência dos jovens na zona rural e contribuindo para o fortalecimento da produção agrícola local. Planejamentos anteriores indicavam que o conjunto poderia atender cerca de mil alunos, número relevante para uma região com pouca oferta de ensino técnico.

O município chegou a receber recursos do governo federal, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), mas, com a não execução da obra dentro do prazo, os valores acabaram sendo devolvidos aos cofres da União. O modelo do projeto previa uma parceria tripartite: a prefeitura entrou com o terreno, enquanto o Estado seria responsável pela execução da obra. Ainda assim, problemas na condução do projeto impediram o avanço da construção ao longo dos anos.

Hoje, o complexo reúne seis edifícios estruturados, porém sem conclusão. Salas sem acabamento, sinais de infiltração, rachaduras, desgaste nas estruturas e marcas da ação do tempo fazem parte do cenário encontrado no local. O mato que avança sobre áreas internas e externas reforça o estado de abandono. Relatos de profissionais da educação e de lideranças rurais apontam que, sem a escola em funcionamento, jovens que poderiam se qualificar na área agrícola precisam buscar oportunidades em cidades maiores, muitas vezes sem condições financeiras, ou acabam desistindo da formação técnica.

A atual gestão da Prefeitura de Riachinho reconhece o impacto negativo para a comunidade e afirma buscar apoio de órgãos estaduais e federais para tentar retomar o projeto. A Secretaria de Estado da Educação e instituições ligadas ao desenvolvimento rural já foram acionadas em reuniões técnicas, mas, até o momento, não há definição de um cronograma concreto para a conclusão da obra. Enquanto isso, famílias e associações de agricultores seguem cobrando que a proposta anunciada há quase duas décadas seja finalmente concretizada.

A Escola Família Agrícola de Riachinho, hoje restrita a estruturas inacabadas e sem uso, representa uma oportunidade perdida até aqui: anos sem aulas, sem formação técnica e sem a escola que a região do Bico do Papagaio continua aguardando.


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