A Ponte Prefeito Leôncio Miranda, sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, no Tocantins, foi condenada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após avaliações técnicas apontarem problemas que comprometem a segurança da estrutura. A ponte tem apenas 18 anos de funcionamento e recebeu um investimento de R$ 92,7 milhões para sua construção.
Inaugurada em 2007, a ponte foi construída em uma parceria entre o Governo Federal e o Governo do Tocantins. Na época, o estado era administrado pelo governador Marcelo Miranda, enquanto o governo federal estava sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com 1.060 metros de extensão e sustentada por 24 pilares, a Ponte Prefeito Leôncio Miranda fazia parte de um trecho estratégico da BR-235, rodovia federal que conecta o Tocantins aos estados do Pará e Maranhão. A estrutura tinha importância regional e nacional por contribuir para a integração entre a região amazônica e o Nordeste brasileiro, além de facilitar o transporte de cargas e o escoamento da produção agrícola e industrial. Antes da interdição, a ponte era considerada um importante corredor logístico para a região, reduzindo a dependência de travessias por balsa e garantindo maior agilidade no deslocamento entre os municípios atendidos pela rodovia.
A decisão pela reconstrução da ponte foi tomada pelo DNIT após uma série de investigações técnicas realizadas na estrutura. Entre os procedimentos, foi feita uma prova de carga com caminhões que, juntos, chegaram a 360 toneladas posicionadas sobre o vão central, enquanto sensores monitoravam o comportamento da ponte.
Segundo o órgão federal, após a retirada do peso, parte da deformação registrada na estrutura permaneceu, indicando que a ponte não retornou totalmente à posição original.
Além dos testes em campo, amostras de concreto das fundações, blocos e pilares foram encaminhadas ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo. As análises identificaram problemas no concreto das fundações dos dois apoios centrais, relacionados a reações químicas internas conhecidas como reação álcali-agregado e formação de etringita tardia.
De acordo com o DNIT, os danos encontrados são irreversíveis e uma intervenção de recuperação não garantiria novamente a segurança necessária da estrutura. Por esse motivo, a autarquia definiu como solução a reconstrução da ponte.
Enquanto a nova estrutura não é executada, o tráfego permanece totalmente interditado. O DNIT informou que avalia a possibilidade de uma eventual liberação para veículos leves, como carros e motocicletas, desde que sejam realizados serviços preparatórios e novas avaliações técnicas.
A interdição obrigou motoristas a utilizarem rotas alternativas para realizar o deslocamento entre as regiões atendidas pela travessia. O caso chamou atenção pelo fato de a ponte ter sido inaugurada há menos de duas décadas e ter demandado um investimento próximo de R$ 100 milhões.
