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Prefeito, vice-prefeita e todos os vereadores tem prisão preventiva decretada por desvio de R$ 56 milhões no Maranhão



O prefeito de Turilândia, no Maranhão, Paulo Curió, do União Brasil, se apresentou à polícia na manhã desta quarta-feira, 24 de dezembro, em São Luís, após permanecer foragido por dois dias. A prisão está relacionada à Operação Tântalo II, deflagrada pelo Ministério Público do Maranhão, que apura um esquema de desvio de recursos públicos superior a R$ 56 milhões e que, segundo as investigações, envolve diretamente o prefeito, a vice-prefeita e todos os vereadores do município, além da primeira dama que é alvo das investigações.

De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionou de forma contínua entre os anos de 2021 e 2025, durante a gestão de Paulo Curió, com a participação de agentes políticos, servidores públicos e empresários. O valor total do prejuízo apurado até o momento é de R$ 56.328.937,59, oriundos de contratos considerados fraudulentos firmados pela prefeitura com empresas apontadas como de fachada.

As investigações indicam que a organização criminosa era liderada pelo prefeito, com apoio direto da vice-prefeita Tânia Mendes e da ex-vice-prefeita Janaína Lima. Segundo o promotor de Justiça Fernando Berniz, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, todos os vereadores em exercício na Câmara Municipal de Turilândia participavam do esquema, recebendo valores desviados diretamente ou por intermédio de parentes e pessoas próximas.

Após a apresentação à polícia, Paulo Curió teve a prisão preventiva cumprida e foi encaminhado, juntamente com a vice-prefeita, para a Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís. No caso dos 11 vereadores, a Justiça decidiu converter as prisões preventivas em medidas cautelares, com prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica. Segundo o Ministério Público, a decisão levou em conta a necessidade de evitar a paralisação completa da administração municipal, já que o presidente da Câmara deverá assumir interinamente o comando do Executivo local.

A Operação Tântalo II é um desdobramento da primeira fase da Operação Tântalo, realizada em fevereiro deste ano, quando já haviam sido identificadas irregularidades em contratos firmados pela prefeitura de Turilândia. Nesta nova etapa, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em diversos municípios do Maranhão, incluindo São Luís, Paço do Lumiar, Santa Helena, Pinheiro, Barreirinhas, Governador Nunes Freire, Vitória do Mearim, Pedro do Rosário, São José de Ribamar e Presidente Sarney.

Segundo o Ministério Público, o esquema se baseava na celebração de contratos fraudulentos com empresas criadas apenas para simular a prestação de serviços ao município. Essas empresas eram utilizadas para emitir notas fiscais falsas, fraudar processos licitatórios, justificar pagamentos indevidos e permitir o desvio sistemático de recursos públicos, que posteriormente eram distribuídos entre agentes políticos e terceiros ligados ao grupo.

Entre as empresas citadas na investigação estão Posto Turi, SP Freitas Júnior Ltda, Luminer Serviços Ltda, MR Costa Ltda, AB Ferreira Ltda, Climatech Refrigeração e Serviços Ltda, JEC Empreendimentos, Potencial Empreendimentos e Cia Ltda, WJ Barros Consultoria Contábil e Agromais Pecuária e Piscicultura Ltda. Conforme os investigadores, essas empresas eram utilizadas como instrumentos para movimentar recursos desviados dos cofres municipais.

Um dos principais alvos do inquérito é o empresário Marlon Zerrão, marido da ex-vice-prefeita Janaína Lima e tio da atual vice-prefeita Tânia Mendes. De acordo com o Ministério Público, o Posto Turi, de propriedade de Marlon, recebeu aproximadamente R$ 17,2 milhões da prefeitura de Turilândia. Parte desse valor era repassada em um acordo informal, no qual 10% dos recursos dos contratos eram destinados ao custeio da faculdade de medicina de Janaína Lima, enquanto os 90% restantes eram entregues ao prefeito ou a pessoas por ele indicadas.

Ainda segundo as investigações, o Posto Turi foi utilizado para a emissão de notas fiscais falsas com o objetivo de simular despesas e viabilizar pagamentos irregulares. A atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e seu marido, Ilan Alfredo Mendes, também são investigados por suspeita de recebimento de valores provenientes de empresas contratadas pelo município e por envolvimento na comercialização de notas fiscais frias.

O Ministério Público sustenta que a composição da chapa eleitoral que levou Tânia Mendes à vice-prefeitura teve como finalidade manter a influência política de Marlon Zerrão dentro da administração municipal, garantindo a continuidade do esquema de desvio de recursos públicos.

Os investigados são suspeitos da prática de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Até a última atualização, nenhum dos citados havia apresentado manifestação pública sobre as acusações.


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