As buscas por Ágata Isabele, de 6 anos, e Alan Michel, de 4, continuam mobilizando autoridades e moradores na cidade de Bacabal, no interior do Maranhão. As crianças desapareceram há 12 dias após brincarem nas proximidades da residência da família, em uma região cercada por mata e áreas alagadas, o que tem dificultado o trabalho das equipes envolvidas.
Segundo as informações apuradas, o desaparecimento foi percebido por volta das 17h, quando familiares notaram que as crianças não haviam retornado para casa. Elas estavam acompanhadas do primo Anderson Kauan, de 8 anos, que também desapareceu no mesmo dia, mas foi encontrado dias depois em uma trilha localizada a cerca de cinco quilômetros da residência da família, apresentando sinais de desnutrição.
Em depoimento às autoridades, o menino relatou que os três entraram na mata para brincar e acabaram se perdendo ao tentar retornar por um caminho alternativo. Desde então, as buscas se concentram em áreas de difícil acesso, incluindo regiões com rios, lagos e vegetação densa.
Durante as operações, um morador da região alertou as equipes sobre a presença frequente de sucuris em áreas alagadas próximas ao local do desaparecimento. O relato foi repassado às autoridades como um alerta ambiental, já que esses animais costumam habitar regiões de rios e brejos da localidade, o que amplia os desafios enfrentados nas buscas.
Na noite desta quinta-feira (15), o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, confirmou em entrevista coletiva que cães farejadores identificaram a passagem das crianças por uma casa abandonada localizada próxima a uma região de lago. O imóvel, conhecido pelas equipes como “casa caída”, fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, e já havia sido citado por Anderson Kauan após ser encontrado com vida.
De acordo com o secretário, os cães reconheceram o odor de Ágata, Alan e também do primo, reforçando o relato do menino. Segundo a versão apresentada, em uma das noites em que estiveram desaparecidos, as três crianças chegaram ao imóvel abandonado, onde permaneceram por um período. Anderson relatou que deixou os primos no local e saiu sozinho em busca de ajuda, sendo localizado pouco tempo depois pelas equipes de resgate.
Ainda conforme Maurício Martins, o reconhecimento do local foi possível por meio de fotografias e de objetos encontrados no imóvel, como cadeiras, colchão e botas. Os cães farejadores também conseguiram identificar os pontos de entrada e circulação das crianças na casa, confirmando que os três estiveram no local conforme descrito pelo menino.
Com base nessas informações, a Secretaria de Segurança Pública informou que a estratégia de buscas foi ampliada na região próxima ao lago. Durante os trabalhos, os cães farejadores desceram uma área de ribanceira e circularam nas imediações do corpo d’água, embora nenhuma nova pista conclusiva tenha sido encontrada até o momento.
O Corpo de Bombeiros deu início a uma nova etapa da operação com mergulhos em um lago localizado a cerca de dois quilômetros do povoado São Sebastião dos Pretos, ponto de onde as crianças teriam saído no dia do desaparecimento. Segundo o comandante da operação, tenente-coronel Cleyton Cruz, a área começou a ser vistoriada ainda na quarta-feira (14), com varredura superficial, e os mergulhos foram intensificados nesta quinta-feira (15), com previsão de duração de aproximadamente três dias.
As equipes atuam lado a lado durante os mergulhos para ampliar o alcance da varredura e identificar qualquer objeto ou vestígio que possa auxiliar nas investigações. Paralelamente, as buscas continuam em trilhas, caminhos, veredas e áreas de mata mais fechada, que podem ter sido percorridas pelas crianças.
Durante a força-tarefa, uma cadela farejadora identificada como Iara, integrante do Corpo de Bombeiros do Ceará, morreu na madrugada desta quinta-feira (15), enquanto se deslocava para a operação em Bacabal. Segundo os militares, o animal apresentou sintomas de torção gástrica e não resistiu, apesar dos cuidados recebidos. Uma homenagem foi realizada em uma das bases da operação, no povoado Santa Rosa, reunindo integrantes das equipes envolvidas.
As buscas contam com reforço de bombeiros e cães farejadores dos estados do Pará e do Ceará. Ao todo, 12 bombeiros e seis cães foram enviados para apoiar a operação, ampliando as frentes de trabalho em campo. A mobilização reúne cerca de 500 pessoas, entre Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro, profissionais do ICMBio e voluntários da comunidade.
Um dos pontos considerados estratégicos é o lago Limpo, local apontado por Anderson Kauan como área por onde os primos teriam passado enquanto estavam perdidos. As equipes realizam uma varredura minuciosa no local, com o objetivo de esclarecer qualquer possibilidade relacionada ao desaparecimento das crianças.
Além das buscas, a Polícia Civil conduz uma investigação paralela para reunir informações que possam contribuir para a localização de Ágata e Alan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes, ligado à Secretaria de Segurança Pública, está no município desde o último domingo e conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por ouvir familiares e realizar avaliações técnicas. O menino que sobreviveu já foi ouvido pela equipe especializada.
As forças de segurança informaram ainda que utilizam tecnologia de geolocalização para mapear todas as áreas já percorridas. O terreno foi dividido em 45 quadrantes, permitindo um controle detalhado das regiões vasculhadas. Apesar do avanço das operações, até o momento, nenhum vestígio conclusivo das crianças foi encontrado.
