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Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar pacientes em UTI de hospital



Três técnicos de enfermagem foram presos no Distrito Federal suspeitos de envolvimento direto na morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. As prisões ocorreram no âmbito da Operação Anúbis, conduzida pela Polícia Civil do DF, que apura a prática de homicídios ocorridos entre novembro e dezembro de 2025 dentro da própria rotina hospitalar.

As investigações apontam que ao menos três pacientes morreram após a aplicação indevida de substâncias diretamente na corrente sanguínea, sem prescrição médica válida e em desacordo com qualquer protocolo assistencial. Os casos passaram a ser tratados como homicídios após análises internas do hospital identificarem circunstâncias consideradas incompatíveis com a evolução clínica das vítimas.

De acordo com as apurações, os suspeitos se aproveitaram do acesso ao sistema eletrônico da unidade para inserir prescrições de medicamentos utilizando o login vinculado ao nome de um médico. Com isso, conseguiam retirar os produtos na farmácia interna e administrá-los diretamente nos pacientes, sem autorização da equipe responsável pelo acompanhamento clínico.

As mortes ocorreram em datas próximas, sendo duas registradas em 17 de novembro e outra em 1º de dezembro de 2025. As vítimas eram uma professora aposentada de 67 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos, todos internados na UTI do hospital no momento das aplicações irregulares.

Durante a investigação, foi identificado que, em pelo menos um dos episódios, um dos técnicos chegou a aplicar desinfetante por via intravenosa em diversas ocasiões, utilizando seringa. A substância não possui qualquer indicação para esse tipo de uso e pode provocar reações imediatas e graves, incluindo parada cardíaca.

Imagens captadas pelas câmeras de segurança instaladas na UTI tiveram papel central no avanço das apurações. Os registros mostraram a presença dos investigados nos leitos das vítimas em horários compatíveis com os procedimentos apontados como irregulares, reforçando os indícios reunidos ao longo da investigação.

Inicialmente, os três ex-técnicos negaram participação nos fatos. No entanto, após o cruzamento das imagens com outros elementos colhidos, houve confissão. Segundo a investigação, um homem de 24 anos foi o responsável direto pela aplicação das substâncias, enquanto duas mulheres, de 22 e 28 anos, teriam auxiliado em pelo menos dois dos episódios, facilitando o acesso aos pacientes e a execução das ações.

A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 11 de janeiro deste ano, quando dois investigados foram presos temporariamente e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF. Materiais considerados relevantes foram recolhidos e seguem sob análise.

Uma nova etapa da Operação Anúbis foi realizada na última quinta-feira, 15, com o cumprimento de mais um mandado de prisão temporária e a apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. Os equipamentos devem auxiliar na análise de comunicações, registros e eventuais conexões entre os envolvidos.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer completamente a dinâmica das mortes, verificar se houve outros casos semelhantes dentro da unidade e identificar possíveis participações adicionais. A apuração segue sob sigilo judicial.

Em nota, o Hospital Anchieta informou que instaurou investigação interna após identificar situações atípicas envolvendo os óbitos ocorridos na UTI, encaminhando as evidências às autoridades competentes. A instituição afirmou que os profissionais envolvidos já haviam sido desligados e que colaborou com a abertura do inquérito policial, além de prestar esclarecimentos às famílias das vítimas. O hospital declarou ainda que também se considera vítima das ações praticadas pelos ex-funcionários e reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes e a transparência.

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