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MPTO abre inquérito sobre arroz com rótulo alterado distribuído na Festa do Dia das Mães em Tocantinópolis


Cestas básicas distribuídas em Tocantinópolis têm arroz investigado pelo MPTO por irregularidades na rotulagem e validade.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou um Inquérito Civil para apurar a responsabilidade de empresas da cadeia de fornecimento do arroz Natureza do Sul Tipo 1, distribuído em cestas básicas durante um evento do Dia das Mães, realizado em 9 de maio pela prefeitura de Tocantinópolis, no norte do estado. A investigação foi aberta pela 2ª Promotoria de Justiça de Tocantinópolis, sob responsabilidade do promotor Saulo Vinhal da Costa, após identificação de embalagens com etiqueta de nova validade sobreposta à data original de fabricação, que indicava vencimento em 2023.

A apuração teve início a partir de uma Notícia de Fato, registrada após comunicação de um representante da Mercearia Rodrigues e informações divulgadas pela imprensa local. O Ministério Público aponta que o caso envolve possível violação às normas de defesa do consumidor na cadeia de fornecimento do produto, com foco na origem, embalagem e distribuição do arroz.

O Laboratório Central de Saúde Pública do Tocantins (Lacen/TO) realizou análises no produto. O resultado foi considerado satisfatório quanto à presença de matérias estranhas macroscópicas e microscópicas, indicando ausência de contaminação nesse aspecto.

Por outro lado, o laudo foi insatisfatório na análise de rotulagem, por identificar desconformidade com a legislação vigente. Segundo a apuração, o problema está na informação apresentada ao consumidor, e não na qualidade física do alimento.

Em manifestação técnica, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que a responsabilidade pela classificação e aptidão do produto é do estabelecimento embalador, a Paiol Distribuidora A. L. Rodrigues Pontes - ME.

O órgão federal também destacou que a sobreposição de etiquetas de validade não foi autorizada nem solicitada, e que as normas exigem rotulagem de difícil remoção, justamente para evitar alterações indevidas em informações essenciais ao consumidor.

A investigação também reúne relatórios de Vigilâncias Sanitárias em diferentes municípios.

Em Gurupi, fiscais identificaram a comercialização do produto com etiqueta sobreposta e validade expirada, além de constatarem que a empresa Costa e Mendes Ltda. operava sem alvará sanitário vigente.

Já em Paraíso do Tocantins, a Vigilância Sanitária apontou uma série de irregularidades na sede da Paiol Distribuidora, incluindo produtos fracionados sem identificação completa, mercadorias sem procedência, armazenamento inadequado, embalagens danificadas e ausência de controle interno de validade.

Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Tocantinópolis, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, informou que as cestas básicas são adquiridas por meio de processo licitatório e já chegam ao município montadas e lacradas.

A gestão afirmou ainda que notificou o comércio responsável e que será instaurada uma sindicância interna para apurar os fatos. O município também orientou que consumidores procurem a Mercearia Rodrigues para substituição de produtos eventualmente irregulares e informou que o pagamento relacionado às cestas só será efetuado após a resolução do problema.

Em nota, a Mercearia Rodrigues declarou que não tinha conhecimento de qualquer inconsistência nas embalagens no momento da distribuição das cestas. A empresa afirmou que, ao tomar ciência do caso, entrou em contato com a fornecedora Costa e Mendes Ltda., solicitando esclarecimentos, substituição dos produtos e envio de laudos técnicos.

Segundo a empresa, até o momento não foram apresentados laudos ou resposta formal da fornecedora. A mercearia também informou que recebeu apenas a versão preliminar de que o produto estaria próprio para consumo, e que o problema estaria relacionado à embalagem do lote.

A empresa destacou ainda que atua há cerca de 40 anos no município e que o episódio seria isolado, afirmando colaborar com as apurações.

Na portaria, o MPTO registra que a investigação envolve possível vício de informação, prática abusiva e responsabilidade objetiva e solidária dos envolvidos na cadeia de fornecimento.

O órgão destaca ainda que a abertura do inquérito se deve à complexidade do caso, à participação de empresas em diferentes municípios, às divergências entre a defesa apresentada e os apontamentos técnicos do MAPA, além da possibilidade de circulação do mesmo lote em outras localidades.

O procedimento segue em andamento e poderá resultar em novas diligências, oitivas e eventual ação civil pública.

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