Um homem de 42 anos foi mantido em cárcere privado durante 25 dias dentro de uma Kombi, na área rural do Guará II, no Distrito Federal. A vítima, que trabalha na área de tecnologia da informação e havia vindo do Pará para Brasília a trabalho, relatou que caiu em uma emboscada armada por uma prostituta, que repassou informações pessoais a criminosos.
De acordo com as investigações, o homem conheceu a mulher em Brasília e aceitou acompanhá-la até um lote onde estava estacionada a Kombi. No local, os dois consumiram bebidas alcoólicas e drogas, mas ao adormecer, a vítima foi surpreendida ao acordar e não encontrar mais a mulher, mas sim dois homens que o impediram de sair.
O delegado Marcos Paulo Loures, da 4ª Delegacia de Polícia do Guará, explicou que os sequestradores descobriram que a vítima possuía conhecimentos avançados em informática e exigiram que ele usasse sua habilidade para abrir contas bancárias, realizar empréstimos e obter crédito em nome de terceiros. Como se recusou a participar das fraudes, passou a ser constantemente agredido com barras de ferro, além de receber apenas uma refeição por dia e ser obrigado a fazer as necessidades fisiológicas em meio ao mato.
Para sobreviver, o homem começou a transferir pequenas quantias de sua própria conta para os criminosos, simulando que eram resultados de golpes virtuais. Durante o período de cárcere, ele também foi ameaçado de morte diversas vezes. Segundo a vítima, os criminosos o levavam até um buraco e diziam que o enterrariam vivo caso não conseguisse entregar o dinheiro exigido.
O cativeiro terminou no dia 28 de agosto, quando um dos sequestradores levou o homem até uma agência bancária no Guará II para sacar R$ 16 mil. Dentro do banco, a vítima conseguiu pedir ajuda discretamente a uma funcionária da limpeza, que trancou a porta e alertou os seguranças. A Polícia Militar foi acionada e conseguiu prender um dos suspeitos em flagrante.
No momento da abordagem, o criminoso ainda tentou atrapalhar as investigações ao quebrar os celulares da vítima. A polícia descobriu que ele, de 56 anos, usava tornozeleira eletrônica e já possuía passagens por tráfico de drogas, homicídio qualificado e receptação. Apesar de se apresentar como catador de recicláveis, a investigação apontou que sua verdadeira atividade estava ligada ao comércio de entorpecentes na região.
Durante buscas em uma chácara ligada ao caso, foram encontrados entorpecentes como crack e maconha, além de indícios de que pelo menos dez pessoas se revezavam na vigilância e agressões contra a vítima. O homem resgatado foi encaminhado ao hospital com múltiplos hematomas e segue se recuperando.
O acusado responderá por crimes de sequestro e cárcere privado, tortura, roubo com restrição de liberdade, extorsão e tráfico de drogas, podendo receber até 61 anos de prisão. A polícia continua as investigações para localizar os demais envolvidos no esquema criminoso.
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