Gerson de Melo Machado, de 19 anos, conhecido como “Vaqueirinho”, alimentava há meses uma fantasia curiosa: dizia a quem convivia com ele que pretendia viajar à África para “domar leões”. O sonho, repetido em conversas com familiares e assistentes sociais, acabou se misturando a um comportamento impulsivo que já preocupava quem o acompanhava devido aos transtornos mentais que possuía.
No domingo (30), o jovem colocou em prática parte dessa obsessão. Durante o horário de visitação do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, ele escalou a lateral da estrutura, usou uma árvore para descer e invadiu o recinto onde vive a leoa Leona, de 19 anos. Pessoas que estavam no local ainda tentaram alertá-lo, mas ele ignorou os pedidos para voltar e seguiu em direção ao interior da jaula.
Poucos segundos depois, Leona reagiu instintivamente à presença de um intruso em seu território. O ataque foi registrado em vídeo por visitantes e se espalhou rapidamente pelas redes sociais. Nas imagens, o felino parte em direção ao jovem, que não consegue se defender. A equipe do zoológico acionou o protocolo de emergência assim que percebeu a invasão, mas já não havia o que fazer.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Dinho morreu de choque hemorrágico após sofrer o rompimento de vasos cervicais. Segundo os peritos, a mordida no pescoço provocou perda de sangue intensa e rápida, impedindo qualquer chance de sobrevivência. O documento também registra que a leoa não se alimentou da vítima e se afastou logo após o ataque, comportamento considerado normal, segundo especialistas.
A bióloga responsável pelo felino, Marília Maia, afirmou que o animal nasceu em cativeiro e nunca apresentou agressividade fora de contextos de defesa territorial. Ela destacou que a mordida no pescoço é um padrão de ataque da espécie e ressaltou que Leona permanece calma e monitorada pela equipe técnica.
O zoológico foi fechado após o incidente e só deve reabrir quando as análises internas estiverem concluídas. A direção do parque descartou qualquer hipótese de eutanásia e informou que todos os protocolos de segurança foram seguidos. A Polícia Civil e o Instituto de Polícia Científica (IPC) investigam como o jovem conseguiu chegar tão perto do recinto sem ser impedido a tempo.
Dinho era acompanhado por assistentes sociais e enfrentava dificuldades familiares. Relatos de pessoas próximas indicam que ele falava com frequência sobre a vontade de treinar grandes felinos e repetir que um dia seria “domador de leões”, fantasia que, segundo os profissionais que o acompanhavam, fazia parte de sua condição psicológica.
O corpo foi liberado pelo IML e sepultado no Cemitério do Cristo Redentor, na tarde de segunda-feira (1º), com a presença apenas da mãe, Maria da Penha Machado, e de uma prima.
