O prefeito de Tocantinópolis, Fabion Gomes, se manifestou nesta quinta-feira (12) após a deflagração da Operação 2º Tempo, conduzida pela Polícia Civil do Tocantins para apurar um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Tocantinópolis Esporte Clube (TEC). O prejuízo estimado aos cofres municipais ultrapassa R$ 5,1 milhões. Entre os alvos da investigação estão o ex-prefeito Paulo Gomes, o atual prefeito Fabion Gomes, e o presidente do TEC, Leandro Pereira, sargento da Polícia Militar, além de outros gestores e servidores da Prefeitura Municipal.
Fabion recebeu os investigadores na sede da Prefeitura e destacou que "na minha gestão não tem nada de errado". Ele explicou que a ação policial teve como objetivo obter informações sobre o TEC e que "foi só pedido de informação, olharam alguns computadores... nossa administração não tem nada a ver com isso, e acredito que nem as outras".
O prefeito reforçou que, após assumir o mandato, todos os repasses ao clube foram suspensos pela Justiça e lamentou que o time "está sofrendo sem recursos públicos". Ele também afirmou que todos os gestores anteriores repassaram valores ao clube legalmente, por meio de lei municipal, e destacou que "o repasse de recursos para o time está suspenso, mas a lei nunca foi declarada inconstitucional". Fabion finalizou reafirmando o compromisso com a transparência: "Somos uma gestão transparente, estamos aqui pra responder o que a polícia quiser".
A Operação 2º Tempo cumpriu oito mandados de busca e apreensão em residências dos investigados, na sede do TEC e em setores da Prefeitura Municipal. A ação mobilizou 34 policiais civis, entre investigadores e peritos, com apoio da Polícia Militar do Tocantins, devido à participação de um dos suspeitos, policial militar da ativa. As ordens foram determinadas pelo Tribunal de Justiça do Tocantins.
Segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o esquema investigado envolvia três frentes: repasses irregulares de recursos públicos mesmo após decisões do Tribunal de Contas do Estado apontarem ilegalidade, uso do TEC como fachada para falsificação de documentos, como atas e recibos, e redistribuição e ocultação de valores em contas pessoais e saques em espécie, dificultando o rastreamento do dinheiro.
O fluxo de recursos investigado vai de 2009 a 2024, com irregularidades já apontadas pelo TCE em 2009, por meio do Acórdão nº 638/2009, referente a repasses sem autorização legal ao clube em 2007.
A Operação 2º Tempo simboliza o “segundo tempo” de uma partida de futebol, representando a continuidade da atuação da Polícia Civil contra crimes de desvio e lavagem de recursos públicos, reforçando o compromisso de responsabilizar os envolvidos e proteger o patrimônio coletivo.
