A Operação Fames-19, deflagrada pela Polícia Federal, ampliou a crise política no Tocantins. Além do afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), dez deputados estaduais tiveram seus gabinetes na Assembleia Legislativa como alvo de mandados de busca e apreensão.
Foram alvos da ação os parlamentares Amélio Cayres, Claudia Lelis, Cleiton Cardoso, Ivory de Lira, Leo Barbosa, Jorge Frederico, Nilton Franco, Olyntho Neto, Valdemar Júnior e Vilmar de Oliveira.
A investigação aponta que eles teriam usado emendas parlamentares para abastecer a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), controlada politicamente por Wanderlei Barbosa, em troca de vantagens ilícitas. O órgão foi o principal destino de verbas durante a pandemia, usadas formalmente para a compra de cestas básicas e frango congelado, mas que acabaram desviadas em um esquema estimado em R$ 73 milhões.
Além dos atuais deputados, a operação também teve como alvo endereços ligados a políticos que exerceram mandato à época dos fatos e igualmente destinaram emendas para os contratos investigados. Nesta lista estão Amália Santana, Eduardo Siqueira Campos, Issam Saado, Luana Ribeiro, Elenil da Penha e Ricardo Ayres.
Segundo a Polícia Federal, os pagamentos de propina eram feitos em espécie e eram chamados pelos envolvidos de “bênçãos”. Interceptações telefônicas mostram o ex-marido da primeira-dama, Paulo César Lustosa, atuando como intermediário entre empresários e agentes políticos, negociando os valores ilícitos. Para driblar o controle do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), os investigados recorriam a saques fracionados inferiores a R$ 50 mil, em uma prática conhecida como smurfing.
As apurações revelam ainda que parte dos valores desviados, cerca de 2,4 milhões , foi usado na construção da Pousada Pedra Canga, em Taquaruçu, registrada em nome de Rérison Antônio Castro Leite, apontado como laranja do governador. Também houve uso de recursos em compra de gado e despesas pessoais de envolvidos.
Ao todo, mais de 200 policiais federais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão no Palácio Araguaia, na Assembleia Legislativa e em endereços particulares. O caso segue sob sigilo no STJ e envolve recursos públicos destinados ao combate à fome em plena pandemia, quando milhares de famílias dependiam do auxílio emergencial e da distribuição de alimentos.
