A Polícia Federal (PF) identificou que o governo do Tocantins recorreu à criação de uma “foto fake” com cestas básicas para tentar burlar a fiscalização de um contrato suspeito de irregularidades. As investigações apontam que o esquema envolvia o empréstimo de cestas de uma empresa para simular a entrega do material previsto em contrato, prática que buscava esconder desvios de recursos públicos destinados à população carente.
Conversas encontradas no celular de um dos investigados mostram detalhes da ação. Um dos diálogos, entre Wilton e PC Lustosa, revela que as cestas eram transportadas apenas para “encenar” a fiscalização na Secretaria de Assistência Social (SETAS) e depois devolvidas. A PF identificou ainda que os envolvidos planejaram criar uma lista com 1.500 nomes e CPFs para simular a prestação de contas das cestas que nunca foram efetivamente distribuídas.
Os contratos eram feitos pelo Instituto de Desenvolvimento de Gestão Social, Esportiva e Cultural (Idegsesc), que teve Karynne Sotero Campos, primeira-dama do Tocantins, como presidente entre 2013 e 2019. A PF aponta que o instituto ainda mantém ligação direta com ela, incluindo o controle de chaves da instituição, mesmo após sua saída formal.
De acordo com os investigadores, os dados extraídos do celular de Paulo César Lustosa evidenciam a intensa participação de Karynne Sotero no desvio de recursos públicos destinados à compra das cestas básicas, reforçando o envolvimento direto da primeira-dama nas irregularidades. A apuração ocorre em paralelo ao afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) por suspeita de desvios no mesmo contrato durante a pandemia.
