O cavalinho de um caminhão foi retirado do fundo do Rio Tocantins na tarde desta quinta-feira (04), em continuidade às operações de resgate de veículos após o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, que liga Aguiarnópolis (TO) a Estreito (MA), ocorrido há 8 meses. O caminhão carregado com portas de MDF, teve apenas o cavalinho, a parte dianteira responsável pela tração, composta pela cabine, eixos de tração e a quinta roda que conecta a carreta — retirado com auxílio de um guindaste, em uma operação delicada devido ao peso e à complexidade do resgate. Ele encontrava-se a cerca de 30 metros de profundidade, enfrentando baixa visibilidade, forte correnteza e grande quantidade de destroços, condições que tornaram o trabalho dos mergulhadores extremamente difícil e arriscado.
O cavalinho ficou destruído pelo impacto da queda de ferragens e concreto da ponte que despencou sobre ele. A cabine foi esmagada, transformando-se em um bloco de metal retorcido, enquanto a lataria e peças da parte frontal ficaram dilaceradas. Apenas o chassi permaneceu relativamente intacto.
Mergulhadores especializados instalaram balões infláveis de grande capacidade para garantir a flutuabilidade do cavalinho, permitindo que ele emergisse da água de forma controlada. Em seguida, a peça foi puxada até a margem do rio com auxílio de um cabo de aço, onde o guindaste concluiu a retirada. Vale destacar que outras tentativas de resgate já haviam sido feitas, mas precisaram ser interrompidas após o rompimento do cabo de aço.
O caminhão havia saído de Dom Eliseu (PA) com destino ao Paraná. No veículo viajava a menina Lorranny Sidrone de Jesus, de 11 anos, cujo corpo foi encontrado no rio após a tragédia.
O acidente envolvendo a ponte resultou na queda de dez veículos, incluindo carros, motos, caminhonetes e caminhões. Entre eles, havia dois caminhões carregando 76 toneladas de ácido sulfúrico e o cavalinho do caminhão com portas de MDF retirado nesta quinta-feira, exigindo atenção redobrada durante toda a operação.
Os resgates anteriores envolveram outros tipos de veículos. O primeiro deles foi um Voyage branco, resgatado em 31 de dezembro de 2024, que transportava Cássia de Sousa Tavares, de 34 anos, e sua filha Cecília, de 3 anos. O marido de Cássia sobreviveu ao ser arremessado durante a queda da ponte. Em 20 de agosto, uma caminhonete L 200 Triton, pertencente ao vereador Ailson Gomes Carneiro (PSD), de 57 anos, também foi retirada. O veículo estava completamente destruído pelos escombros da ponte. O vereador e sua esposa, Elizangela Santos das Chagas, de 50 anos, faleceram na tragédia. Nessa operação, mergulhadores utilizaram balões infláveis para dar flutuabilidade à caminhonete, que foi conduzida até a margem com auxílio de rebocador e escavadeira.
O acidente deixou 14 mortos, três desaparecidos e apenas um sobrevivente. Após a queda da ponte, milhares de moradores ficaram isolados. Para amenizar os transtornos, o DNIT contratou balsas gratuitas para transporte de pedestres e veículos enquanto a nova ponte está em construção, com obra já ultrapassando 50% de execução e entrega prevista para dezembro deste ano.
