O que deveria ser apenas um encontro de supostos amigos em Trindade, Goiás, transformou-se em um episódio de violência e grave ameaça. Uma mulher foi torturada por um casal durante um churrasco realizado em 14 de novembro, segundo a investigação conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia do município. Os dois suspeitos foram presos nessa segunda-feira 1⁰, após determinação judicial baseada nas provas reunidas no inquérito.
A vítima relatou aos investigadores que a agressora, que estava acompanhada do marido, iniciou uma série de xingamentos antes de partir para a violência física. De acordo com o depoimento, a mulher pediu uma tesoura ao companheiro e, com o objeto em mãos, cortou o cabelo da vítima e provocou ferimentos com golpes de estocada. O laudo anexado ao processo descreve cortes irregulares na região do couro cabeludo e perfurações compatíveis com objeto perfurante, além de hematomas extensos nos braços, no rosto e no tronco.
Ainda segundo a vítima, a agressora pegou um pedaço de madeira e passou a golpeá-la repetidamente, causando novas lesões. A sequência de violência só aumentou quando, após arrancar a roupa da vítima, a agressora derramou pimenta em suas partes íntimas, causando forte ardência. O líquido que escorreu para o chão foi usado como mais uma forma de humilhação: a vítima contou que foi obrigada a lamber o piso enquanto tinha a cabeça pressionada contra o chão. A investigação registra que a mulher estava em estado de choque quando buscou atendimento e apresentava irritação intensa na região genital, confirmada no relatório médico.
Durante as agressões, o marido da autora filmava tudo com o celular. Enquanto gravava, também fazia ameaças de morte caso a vítima procurasse a polícia, reforçando o clima de terror que durou por vários minutos. Em determinado momento, segundo o depoimento, a agressora afirmou que cortaria o pescoço da vítima e que ninguém jamais encontraria seu corpo.
As imagens registradas pelo suspeito se tornaram uma das principais provas documentais do caso. Somadas aos depoimentos e ao laudo médico, sustentaram o pedido de prisão. O casal foi detido dias após o crime e agora responde por tortura, considerada uma das práticas mais graves previstas na legislação brasileira.
A investigação segue em andamento, e a vítima está recebendo acompanhamento após o episódio, que deixou marcas físicas e emocionais. O caso repercutiu na região pela brutalidade e pela forma como a violência se desenrolou durante um encontro que deveria ser apenas um momento de convivência.
