A Câmara Municipal de Turilândia, no interior do Maranhão, convocou oito suplentes para assumir as vagas deixadas por vereadores que tiveram a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça do Maranhão. A convocação foi publicada no Diário Oficial e estabelece prazo de 48 horas para que os convocados tomem posse. Caso não assumam dentro do período, a vaga será destinada ao próximo nome da lista.
A decisão judicial atingiu os vereadores Gilmar Carlos Gomes Araújo, Mizael Brito Soares, José Ribamar Sampaio, Nadianne Judith Vieira Reis, Sávio Araújo e Araújo, Josias Fróes, Carla Regina Pereira Chagas e Inailce Nogueira Lopes. Eles são investigados por suposto envolvimento em um esquema que, segundo o Ministério Público do Maranhão, teria desviado R$ 56,3 milhões da Prefeitura de Turilândia entre 2021 e 2025.
De acordo com a Justiça, os parlamentares teriam descumprido medidas cautelares impostas anteriormente, como o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de contato com outros investigados. Diante disso, a prisão domiciliar foi convertida em preventiva, e os vereadores foram encaminhados ao Presídio de Pinheiro.
Para ocupar as cadeiras, foram convocados os suplentes João de Deus Soares dos Santos, Gleydson Froes Silva e Leopoldo Sá de Sousa, do PRD, Manoel Estrela Guedes, José Nilton Pereira, Sebastiana Vieira Moraes e Marta de Lima Moreira, do União Brasil, além de Valdemir Froes Chagas, do Solidariedade.
O caso faz parte de uma investigação mais ampla que também resultou na prisão do prefeito Paulo Curió, apontado pelo Ministério Público como o principal articulador do suposto esquema. Ele foi denunciado por organização criminosa, desvio de recursos públicos, fraude em licitações, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia também inclui a vice-prefeita, a ex-vice-prefeita e familiares do gestor municipal.
A crise institucional levou o Tribunal de Justiça a autorizar intervenção estadual no Executivo de Turilândia. O governador do Maranhão nomeou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor, com mandato inicial de 180 dias. A medida atinge apenas a prefeitura, enquanto a Câmara segue funcionando com a nova composição.
O Ministério Público pediu o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões apontados como desviados, além da perda de bens e valores ligados ao esquema e da manutenção das medidas cautelares já determinadas.
A defesa dos vereadores afirma que a nova ordem de prisão é indevida e sustenta que os investigados estavam cumprindo regularmente a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Os advogados informaram que irão recorrer da decisão.
