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CGU aponta sobrepreço de até R$ 20 milhões na construção da ponte JK entre Tocantins e Maranhão

Imagem da nova ponte Juscelino Kubitschek sobre o Rio Tocantins, reconstruída após desabamento que deixou mortos


A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de sobrepreço que podem chegar a R$ 20 milhões no contrato de R$ 171,9 milhões firmado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a construção da nova ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga Tocantins ao Maranhão. A estrutura original desabou em dezembro de 2024, provocando 14 mortes e deixando 3 pessoas desaparecidas e apenas um sobrevivente. A nova ponte foi entregue em 22 de dezembro de 2025, com recursos do Novo PAC, mas auditoria apontou falhas na estimativa de custos e risco de novos aditivos contratuais.

A análise da CGU, concluída em novembro de 2025, apontou inconsistências na pesquisa de preços de mercado, principalmente nos valores previstos para a demolição da antiga estrutura, além de superestimativas paramétricas que teriam elevado o orçamento inicial. De acordo com os auditores, o custo real de todas as etapas — incluindo demolição, elaboração de projetos e reconstrução — poderia girar em torno de R$ 154,1 milhões, o que representaria uma diferença de aproximadamente R$ 17,8 milhões em relação ao valor originalmente contratado. O contrato, que começou em R$ 171,9 milhões, chegou a R$ 174,6 milhões após aditivo.

O modelo adotado, de preço global, também foi questionado pela equipe técnica, já que determinadas cláusulas permitiriam pagamento conforme quantidades efetivamente executadas, o que pode abrir margem para elevação de valores ao longo da execução.

A ponte original, construída na década de 1960 sobre o Rio Tocantins, na BR-226, desabou no momento em que caminhões carregados com produtos químicos e veículos de passeio atravessavam o trecho. Relatórios técnicos do próprio DNIT, ainda em 2020, já apontavam problemas estruturais como vibração excessiva, corrosão de componentes metálicos e fissuras em pilares, mas as intervenções necessárias não teriam sido realizadas a tempo de evitar o colapso.

A contratação emergencial ocorreu por dispensa de licitação, mecanismo previsto em situações excepcionais, porém sem a concorrência que poderia gerar redução de preços. A CGU cita como comparação outra obra semelhante, realizada em ponte sobre o Rio São Francisco, onde houve desconto significativo após processo competitivo.

No relatório, os técnicos recomendam que o DNIT revise critérios de formação de preços, aperfeiçoe procedimentos internos de orçamentação e fortaleça mecanismos de controle, a fim de reduzir riscos de distorções em contratações diretas e evitar prejuízos aos cofres públicos em obras consideradas estratégicas.


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