A mulher que foi presa na noite de segunda-feira (27) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tocantinópolis, no norte do Tocantins, afirmou que foi agredida durante a atuação da Polícia Militar em uma ocorrência registrada dentro da unidade de saúde.
“Me chamou de rapariga e me jogou ao chão”, diz mulher após prisão em ocorrência na UPA de Tocantinópolis.
A declaração foi feita por D’ane Oliveira após o episódio ocorrido enquanto ela acompanhava o atendimento de uma criança de 7 meses na unidade. Segundo a versão apresentada por ela, a situação começou após constatar a ausência de médicos no local, momento em que decidiu gravar a movimentação e relatar a situação.
“Estava sem médico, eu comecei a gravar e falar e tudo. Porém, ninguém se posicionou, não falou nada”, afirmou.
D’ane relata que, após a divulgação do vídeo, um médico teria entrado no consultório e a chamado para esclarecimentos sobre o que estava sendo exposto nas redes sociais.
“Um médico aqui da cidade, acho que viu nas redes sociais, e tomou as dores da gestão e entrou [para o consultório] e mandou me chamar. Eu já pensei que era para consultar. Só que quando eu entrei e perguntei se era para consultar ele disse que não, que queria saber o que estava acontecendo. E aí começamos o bate-boca”, disse.
Segundo ela, após a discussão, o profissional teria acionado a Polícia Militar.
“Ele pediu para eu sair e disse que ia me consultar, só que não consultou. Nesse momento ele foi chamar a polícia”, relatou.
A mulher foi conduzida pela Polícia Militar durante a ocorrência na UPA. Conforme as informações já divulgadas, ela foi autuada pelos crimes de desacato e resistência e levada para a Central de Atendimento da Polícia Civil de Tocantinópolis.
D’ane afirma que, no momento da condução, teria sido agredida por um policial militar.
“Na hora que eu já estava sendo presa, um policial me tirou da viatura, me chamou rapariga e me jogou ao chão”, afirmou.
Em registros posteriores, a mulher aparece com hematomas pelo corpo. As circunstâncias em que as marcas teriam surgido não foram esclarecidas oficialmente.
Após os procedimentos, foi arbitrada fiança, paga pela conduzida, que foi liberada e responderá ao processo em liberdade. O caso segue sob investigação da 20ª Delegacia de Polícia de Tocantinópolis.
A Polícia Militar informou que foi acionada para atender uma ocorrência de desordem na UPA. Segundo a corporação, a mulher teria entrado em um consultório durante atendimento, apresentado comportamento alterado e feito ameaças. Ainda conforme a PM, houve resistência no momento da abordagem, sendo necessária a condução à delegacia, e os procedimentos foram realizados dentro da legalidade.
Em nota, a Prefeitura de Tocantinópolis afirmou que o episódio foi pontual e classificado como uma situação atípica na UPA do município. A gestão informou que houve necessidade de acionamento da Polícia Militar após registro de tumulto e desacato a servidores, com o objetivo de garantir a segurança de pacientes e profissionais, e reforçou que havia médico em atendimento durante a ocorrência. Sobre o caso citado envolvendo uma criança, o município declarou que ela recebeu assistência conforme avaliação clínica, não apresentava quadro febril no momento e permaneceu na unidade por cerca de 28 minutos. A administração negou negligência ou omissão no atendimento e destacou que os serviços seguem os protocolos do SUS, com base na classificação de risco.
