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Queda da ponte JK entre Tocantins e Maranhão completa 8 meses: buscas, vítimas e nova estrutura

Há oito meses, a ponte Juscelino Kubitschek, que ligava os municípios de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO) pela BR-226, desabava, deixando um rastro de dor, destruição e um baque na economia das duas cidades. O acidente ocorreu em 22 de dezembro de 2024, próximo à véspera do Natal, quando dezenas de veículos cruzavam a estrutura. Ao todo, 14 pessoas morreram, três continuam desaparecidas e apenas um homem sobreviveu.

O laudo final da Polícia Federal, concluído após mais de sete meses de perícia, apontou que o colapso foi provocado pela deformação do vão central da ponte, causada pelo excesso de peso de veículos e pela deterioração da estrutura ao longo das décadas. Construída nos anos 1960, com concreto protendido e um vão livre de 140 metros, a ponte não acompanhou o aumento do fluxo e da carga transportada. O reforço lateral aplicado na última grande reforma, entre 1998 e 2000, acabou comprometendo a resistência da estrutura, e relatórios de 2019 já alertavam para vibrações excessivas e rebaixamento do vão central em 70 centímetros, classificando a ponte como “sofrível e precária”. Uma tentativa de licitação em 2024 para novos reparos não foi concluída antes do desabamento.

Entre as vítimas estavam Alessandra do Socorro Ribeiro, de 40 anos, seu marido Salmon Alves Santos, de 65, e o neto Felipe Giuvannuci Ribeiro, de 10 anos. Alessandra foi localizada, mas Salmon e Felipe permanecem desaparecidos, deixando familiares em angústia. “A gente precisa fechar esse ciclo que a gente não fechou. É muito difícil para a família”, disse Maristelia Alves Santos, irmã de Salmon. A declaração de morte presumida, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins, só pode ser concedida via judicial, mesmo em situações de risco grave, como a ocorrida.

O acidente deixou veículos e cargas perigosas submersos no Rio Tocantins, incluindo mais de 1,3 mil galões de ácido sulfúrico e defensivos agrícolas. O resgate de veículos vem sendo realizado com apoio da Marinha do Brasil e equipes especializadas, utilizando mergulhadores, balões infláveis e rebocadores. Até o momento, dois veículos já foram retirados: um Voyage branco em dezembro de 2024, e a caminhonete L 200 Triton em agosto de 2025, pertencente ao vereador Ailson Gomes Carneiro, que viajava com a esposa, que também morreu na tragédia.

O colapso da ponte causou isolamento de milhares de moradores da região. Como medida emergencial, o DNIT contratou balsas para a travessia gratuita de pedestres e veículos, enquanto a construção da nova ponte segue em ritmo acelerado. A nova estrutura terá 630 metros de extensão, vão central de 154 metros, sustentado por dois pilares equivalentes a um prédio de sete andares, e deve ser concluída em dezembro de 2025. Até o momento, as obras ultrapassaram 50% de execução.

Para a Polícia Federal, “houve omissão por parte de agentes públicos quanto à manutenção da obra. Esse desastre não foi um caso fortuito; era plausível que pudesse acontecer”, afirmou o delegado Allan Reis de Almeida. A tragédia da ponte Juscelino Kubitschek permanece na memória da região e deixa um legado de lições sobre segurança, planejamento e responsabilidade.

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